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Os 5 erros mais comuns de advogados em perícias médicas (e como evitá-los com suporte técnico)

Por: Equipe TecnicalMed | 17 de janeiro de 2026

OS 5 ERROS MAIS COMUNS DE ADVOGADOS EM PERÍCIAS MÉDICAS (E COMO EVITÁ-LOS COM SUPORTE TÉCNICO)

Tempo de leitura: 8 min

 

A perícia médica se tornou, em muitas ações, o ponto de maior gravidade do processo. Não é exagero: em causas previdenciárias, trabalhistas, cíveis (danos à saúde) e até criminais, o laudo costuma ser o documento que conecta o “mundo real” do corpo (lesão, doença, sequela, funcionalidade) ao “mundo normativo” do Direito (nexo, incapacidade, extensão do dano, gravidade, repercussões).

O problema é que a prova médica opera com linguagem própria, método próprio e premissas que nem sempre são explícitas. Quando essa engrenagem é mal compreendida, os erros são caros: a tese pode ficar juridicamente impecável, mas tecnicamente vazia. E, no final, decide-se com base em um laudo que poderia ter sido melhor conduzido, melhor perguntado ou melhor enfrentado.

A seguir, estão cinco erros recorrentes — não como censura, mas como mapa de risco. Em cada item, indico como uma atuação médico-pericial de apoio (consultoria ou assistência técnica) costuma neutralizar o problema.

1) Tratar os quesitos como burocracia (e não como direção do método)

Quesitos genéricos são uma forma discreta de entregar o comando da prova ao acaso. Quando a parte não pergunta com precisão, o perito tende a responder dentro do que considera suficiente — e isso pode não coincidir com o que é decisivo no processo.

Sinais de quesitos fracos

  • perguntas amplas (“há doença?”, “há incapacidade?”), sem definir critério;
  • questionar a capacidade técnica do perito;
  • repetição de quesitos padrão, desconectados do caso;
  • ausência de perguntas sobre premissas: documentos considerados, exame físico realizado, testes aplicados, cronologia;
  • confusão entre conceitos (diagnóstico ≠ incapacidade; sequela ≠ nexo; dor ≠ limitação funcional).

Como evitar

Quesitos fortes não são “mais longos”; são mais delimitados. Uma boa prática é separar em blocos:

  • Base técnica: documentos considerados e por quê; exame físico; achados objetivos que fundamentam a conclusão.
  • Nexo causal/concausal: critérios; compatibilidade do mecanismo alegado; exclusão de causas alternativas.
  • Capacidade funcional: tarefas do trabalho/atividade; limitações objetivas; restrições; possibilidade de adaptação.
  • Cronologia e prognóstico: início provável; evolução; tratamento; estabilização; consolidação.
  • Sequela/dano permanente: existência, descrição, repercussão, permanência, impacto funcional e estético (quando pertinente).

Onde o suporte técnico entra

Na consultoria, o médico ajuda a transformar “perguntas jurídicas” em “perguntas respondíveis tecnicamente”. Na assistência técnica, além disso, ele estrutura o raciocínio pericial e a produção técnica que sustenta a atuação processual.

2) Judicializar sem triagem médico-legal prévia (ou com triagem superficial)

Um erro recorrente é começar a demanda com documentação volumosa, mas desorganizada, e sem uma leitura clínica-forense do que de fato prova o quê. Isso gera dois riscos:

  • ações com tese jurídica boa, mas sem lastro técnico mínimo;
  • ações com potencial real, mas instruídas de modo difuso, deixando o ponto central escondido.

O que uma triagem prévia deveria responder

Antes de judicializar (ou logo no início), é estratégico saber:

  • o que é dado objetivo (exame, imagem, achado clínico) e o que é relato;
  • se há coerência entre queixa, evolução e documentação;
  • qual é o ponto mais vulnerável: nexo, incapacidade, consolidação, tratamento, sequela;
  • quais documentos faltam para fechar a cadeia probatória.

Material extra (que ajuda na prática)

Um “mínimo probatório” costuma incluir:

  • linha do tempo clínica (início, atendimentos, exames, intervenções);
  • descrição funcional (o que a pessoa faz no trabalho/vida e o que não consegue mais fazer);
  • evidências de tratamento e adesão (quando relevante);
  • elementos técnicos para nexo (mecanismo, exposição, compatibilidade temporal e biomecânica).

Onde o suporte técnico entra

A consultoria funciona como filtro e direção: organiza documentos, aponta lacunas, orienta como construir a linha do tempo e evita que a perícia seja “a primeira vez” em que o caso é tecnicamente compreendido.

3) Ler laudo “pela conclusão” e ignorar método, dados e coerência interna

A leitura apressada do laudo costuma parar no último parágrafo. Isso é perigoso porque, em perícia, o valor está na justificativa.

Um laudo pode estar desfavorável por três motivos bem diferentes:

  • porque a tese é tecnicamente insustentável;
  • porque faltaram documentos e o perito ficou com pouco material;
  • porque há falhas metodológicas, lacunas ou contradições.

Sem separar essas hipóteses, a estratégia vira tentativa e erro.

Checklist de leitura crítica (simples e útil)

  • Quais documentos o perito cita? Ignorou algum essencial?
  • O exame físico foi descrito com achados ou só com frases genéricas?
  • O laudo responde aos quesitos ou desvia para generalidades?
  • A conclusão decorre do que foi descrito (coerência interna)?
  • A cronologia faz sentido (tempo de sintomas, tratamento, consolidação)?

Onde o suporte técnico entra

Uma leitura médico-pericial especializada localiza rapidamente:

  • contradições internas;
  • omissões relevantes;
  • saltos lógicos;
  • insuficiência de exame ou de critério de incapacidade/nexo.

4) Impugnar por indignação (ou por formalismo) em vez de impugnar por método

A impugnação eficaz não é a que “discorda”. É a que aponta, com precisão, o que torna o laudo vulnerável do ponto de vista técnico.

Impugnação forte costuma atacar

  • omissão: quesito não respondido, documento não analisado, exame incompleto;
  • metodologia: ausência de critérios, testes funcionais não realizados, premissas não declaradas;
  • contradição: trechos incompatíveis dentro do laudo ou com a documentação;
  • incompatibilidade técnica: mecanismo alegado não compatível com achados; cronologia biologicamente improvável.

Onde o suporte técnico entra

Aqui, a assistência técnica é especialmente valiosa: ela sustenta uma análise estruturada e rastreável, que não depende de retórica. A consultoria pode ser o passo inicial para desenhar os pontos e orientar quesitos de esclarecimento realmente úteis.

5) Não contar com suporte técnico no momento certo: perder timing na prova médica

Um erro comum é não obter nenhum tipo de auxílio técnico ou acionar ajuda médico-pericial tarde demais — só depois do laudo desfavorável — ou de forma improvisada, quando o caso já está “travado” por falta de direção técnica. Em perícia, timing é estratégia: o que não é perguntado antes, muitas vezes não é recuperável depois.

Consultoria pericial (orientação e estratégia) é o apoio rápido e objetivo para transformar medicina em decisão processual. Ajuda o advogado a ler documentos e traduzir a linguagem médico-legal, organizar a linha do tempo clínica, identificar pontos fortes e lacunas, inconsistências em laudos desfavoráveis, formular quesitos iniciais e complementares e preparar o caso para a perícia e audiências com mais segurança técnica.

Assistência técnica (atuação técnica no processo) é a atuação formal em que o médico assistente técnico assume a condução técnica pela parte: elabora parecer técnico fundamentado, realiza a análise crítica do laudo judicial, estrutura tecnicamente quesitos de esclarecimento e impugnações e pode acompanhar o ato pericial para registrar, de forma ética e objetiva, o que foi efetivamente avaliado e o que ficou omitido — seja para reforçar a tese, seja para corrigir falhas do exame pericial.

O ganho é simples: a consultoria direciona e evita dispersão; a assistência técnica sustenta tecnicamente a atuação no processo, com consistência e rastreabilidade.

Conclusão

A perícia médica não é “o problema do perito”. Ela é parte da estratégia do processo. Quando o advogado domina a lógica probatória (dados, método, coerência, critérios) e tem suporte técnico para traduzir a linguagem médico-legal, a prova deixa de ser risco e passa a ser ferramenta.

O ponto central é simples: não se vence prova técnica com retórica. Vence-se com método científico e estratégia.

A TecnicalMed atua com consultoria pericial e assistência técnica médico-pericial, apoiando advogados na leitura crítica de laudos, formulação de quesitos e construção de estratégia técnico-probatória.

 

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Sobre a TecnicalMed

Dr. Helio Prince Garcia Martins (CRM/PR 22.687, RQE 26.336)
Diretor Técnico e Sócio-Fundador da TecnicalMed
Especialista em Medicina Legal e Perícia Médica

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